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Para a cantora e compositora Lara Aufranc, transformar-se é uma necessidade constante. Em 2013, quando Lara e os Ultraleves alçou os primeiros vôos, sua música transitava entre o soul e o blues. Dois anos depois, ao lançar o álbum autoral de estréia “Em Boa Hora”, mostrou originalidade com um repertório poético ora retrô, ora contemporâneo. Hoje, Lara Aufranc “encara o próprio sobrenome” (Trabalho Sujo) e lança o seu trabalho mais autoral, livre da persona Lara e os Ultraleves. Passagem (2017, Matraca Records) é um disco corajoso e mutante, em que a artista fala abertamente de si e do mundo, que observa com atenção. 

Passagem é fruto do descobrimento de seu lugar no mundo como mulher musicista. Repleto de elementos do rock setentista e da MPB, mistura pop contemporâneo e desconstrói ritmos nacionais como o baião e o samba. O disco explicita a miscigenação da música brasileira atual através de uma sonoridade sólida e libertária, aliada a letras que tratam de questões como a superpopulação das metrópoles, as relações líquidas, o posicionamento feminino e o cotidiano – que tanto pode enclausurar como romper-se em libertação. 

Abrindo o disco, “Muito Mais” começa com uma auto-reflexão: Tinha uma pedra no meu caminho/ E quando eu vi era eu/ Que não sabia que tinha que caminhar. Entre guitarras e sintetizadores, a faixa poderia ter sido feita por uma Rita Lee recém saída de seu bando mutante. Ainda na pegada ruidosa e afirmativa, “Sangue Quente” surpreende com um desfecho poético e psicodélico. Já canções como “Tem Gente Demais”, a lírica “Ao Luar” e “Passagem” – faixa-título que ganhou videoclipe – são exemplos do que instiga a artista na urbanidade contemporânea: “Existe uma solidão no movimento circular e repetitivo das cidades, ao mesmo tempo em que estamos cercados de gente”, diz Lara. 

Escura, experimental e intrigante, “Trovoada” parece vinda de um filme do cineasta Tim Burton. Já o pop-rock bem resolvido “Amor Comum” fala sobre a natureza incerta do amor, suas dores e delícias. Seguindo no caminho sonoro solar, “Pelas Escolhas”, é uma canção sobre o significado e o custo dos caminhos.  

Feito um barco a vela
Como um trem sem trilho
Parte sem destino coração
(Trovoada)

“Duas Mulheres” e “Vem Rodar” soam como gritos feministas. Juntas e separadas, são mulheres que compartilham o medo, o cansaço e o desejo de libertação de uma sociedade opressora. Por fim, a artista se debruça em raízes folclóricas de sua família argentina na canção “Llena de Agua”, que encerra o álbum com um canto de força e poder. Lara Aufranc, assim como as personagens que cria, quer muito mais. 
 

PASSAGEM - Ficha Técnica

LARA AUFRANC - vozes
ALLEN ALENCAR - guitarra, violão de aço, violão de 12 cordas
DANIEL DOCTORS - baixo, contrabaixo e percussões
KIM JINKINGS - pianos, teclados, órgãos e sintetizadores
VICTOR BLUHM - bateria, bateria eletrônica, percussões
CAMILO ZORRILLA - bumbo leguero e percussões em "Llena de Água"
MATHILDE PORTO - violino em “Vem Rodar"
JOSÉ DE HOLANDA - fotografias
PAULA VIANA - artes visuais e design
RENAN TAVARES - maquiagem

ARRANJOS E PRODUÇÃO MUSICAL:
Lara Aufranc, Allen Alencar, Daniel Doctors, Kim Jinkings e Victor Bluhm

Gravação: FERNANDO RICHBIETER, JOÃO ANTUNES e PEDRO VINCI
Mixagem e Masterização: PEDRO VINCI
Estúdio: YB MUSIC
Lançamento: MATRACA RECORDS

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Passagem (2017)

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Passagem {single} (2017)

Em Boa Hora (2015) 

Take Me With You {single} (2015)